sábado, 15 de novembro de 2008

Mais do mesmo


Vicky Cristina Barcelona (2008)
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco: Javier Bardem, Patricia Clarkson, Penélope Cruz, Rebecca Hall, Scarlett Johansson


A mais recente tentativa de Woody Allen tem como cenário os exóticos redutos artísticos de Barcelona, na Espanha. As amigas gringas Vicky (Hall) e Cristina (Johansson) resolvem passar uma temporada na cidade. Vicky, a mais centrada e responsável, está terminando uma pesquisa para sua tese de mestrado, enquanto Cristina, loiraça de personalidade volúvel e espírito livre, está tentando descobrir o que fazer da vida.

Juan Antonio (Bardem), um nativo misterioso e sedutor, as convida para um fim de semana em Oviedo. A aventura com o desconhecido é algo demasiadamente impulsivo para Vicky, porém exatamente o tipo de ação que Cristina procura. No fim, as duas topam a viagem, porém é a comedida Vicky quem acaba na cama com Juan Antonio. O problema é que Vicky é noiva e o remorso bate forte quando Juan António a deixa de lado e parte para cima de sua amiga Cristina.

Os dois começam um relacionamento, que toma forma de triângulo amoroso quando María Elena (Cruz), ex de Juan Antonio, com quem ele tinha um relacionamento intempestivo, reaparece em suas vidas.

Acompanhe a crítica do filme:



sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Tour na Torre

Parada obrigatória no turismo de Brasília, a Torre de TV é um dos poucos edifícios da cidade que não foi projetado por Oscar Niemeyer. A obra, na verdade, é de Lúcio Costa e foi construída em 1967 para melhorar o sinal de rádio e TV em Brasília. É a décima terceira torre mais alta do mundo e a quarta maior da América Latina.

Ao redor da torre, são oferecidas várias atividades culturais como o museu de gemas, que possui cerca de 3 mil pedras brutas e lapidadas no acervo, e, próximo à torre, a fonte luminosa, que é um dos cartões postais mais antigos da cidade. Além de inúmeros shows culturais, rodas de capoeira e todo tipo de apresentação de rua, sempre gratuitos.

Mas o que chama mais atenção dos visitantes é a Feira da Torre, que funciona desde a década de 70 e na qual são vendidos vários tipos de artesanato, desde roupas até móveis, em cerca de 500 barracas. A maioria dos artigos é moldada no mais clássico estilo “roots” do brasiliense. Não vale sair de Brasília sem uma visita por lá.

Se você quiser saber mais sobre a organização da Feira da Torre, confira o áudio da matéria.


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

TurisDF sob três olhares

O queixo tremia, as pernas não seguravam em pé, o vento tentando acalmar quanto mais soprava, mais o pavor pairava no ar. Era um domingo quente, a 75 metros da superfície, estava eu, no mirante da Torre de televisão, de onde se tem uma ampla vista de Brasília, num dos mais belos pontos turístico da cidade.

São estas e outras sensações que geralmente pode-se sentir em lugares metricamente planejados para embelezar uma cidade, um estado ou um país. Mas diferente de outros pontos turístico do DF, a Torre de TV é vista por algumas pessoas como principal meio de sobrevivência e sua beleza, muitas vezes não é enxergada.

Artistas de rua, ambulantes e artesãos não apreciam sua arquitetura sob o sol ardente e o clima seco. Não degustam a diversidade de pratos regionais que ali se encontram sob a pressa de vender e voltar para casa com o sentimento de dever cumprido e dizer "A feira foi boa".

Como passar no Eixo Monumental e não ver a Torre de TV? Um Projeto de Lúcio Costa, com 224 m de altura em aço, um monumento histórico no centro de Brasília, à sua frente encontra-se a escultura "Era espacial" de Alexandre Wakenwit. Aos 25 metros funciona o Museu Nacional de Gemas. E diariamente funciona a tradicional Feira dos Artesanatos, das 9 às 19h.

Depois de todo um processo de construção, dinheiro do povo investido, será que a Torre de TV está sendo valorizada como deveria? Talvez não. Mas de quem é a culpa? O que fazer? Estas são algumas perguntas que ainda ficam sem respostas. Mas mesmo assim, turistas que visitam Brasília criam até blogs para descrever os momentos vividos na cidade, afinal é a capital do País. Todos os dias ela está na globo, no Jornal Nacional. É onde está o poder.

Uma das pessoas com quem conversei durante minha análise, a artesã Mônica Pataxó, 30 anos, vive em Brasília há 10, apontou um aspecto muito importante. A falta de investimento do DF em turismo, pois por mais que o governo trabalhe em cima disso, ainda há uma certa precariedade.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Jornalismo sem recheio

A mídia brasileira não se cansa do sensacionalismo. A cada tragédia satura seus consumidores explorando incansavelmente cada oportunidade de assegurar pontos a mais na audiência, nos acessos aos blogs, sites ou na venda de jornais.

O mundo está cada vez mais violento e os jornais banalizam ainda mais. O povo se sente atraído. Será pela afeição do ser humano em coisas mórbidas, ou será que este povo vai se acostumando a ser insensível ao horror? Independe. O fato é que o jornalismo está extremamente factual e, dentre os fatos, a tragédia está entre os mais atraentes. Não que fatos sejam irrelevantes, mas só noticiar não faz sentido. O povo carece de análises, discussões, reflexões e esse é o papel da mídia.

Exemplo nítido de um jornalismo pasteurizado é a cobertura do “caso Eloá”. O fato é noticiado, a polícia começa a investigar e pronto, o assunto só deveria ser retomado quando fatos importantes surgissem para contextualizar o acontecido ou acrescentar novas informações. Se for pra continuar falando sobre, que outras abordagens sejam exploradas. No blog Divã do Masini, por exemplo, o autor cita o caso para uma reflexão sobre a vida. Há quem discuta as atitudes precoces dos jovens, a doação de órgãos, o crescimento da violência, enfim, utilizam o gancho para repassar valores sem deixar de informar corretamente.

Não fosse a descoberta de supostos crimes do pai da menina e a ação atrapalhada da polícia, o foco ainda estaria em Eloá. A mídia continuaria apelando para o sentimentalismo e recriando personagens. As pessoas adotando os personagens e alimentando a oportunidade dos meios de comunicação garantirem o seu lucro.


Eloá Sonora.mp3

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Amigos, amigos, seqüestros à parte

Um dos principais motivos pelos quais o caso Eloá ganhou proporções enormes foi por ter deixado claro o quanto as pessoas se tornaram individualistas e egoístas. Não quer acabar o namoro? Seqüestre sua namorada. Sua filha não pára de chorar? Esgane-a. Apertou muito forte e acha que ela morreu? Faça parecer um acidente e a jogue da janela. Quer a herança dos seus pais? Mate-os dormindo, talvez eles não sintam dor. E você ainda vai virar uma celebridade, com direito a página no Wikipédia, como se fosse digno de entrar para história.

Encontrar a solução para os próprios problemas ou livrar-se deles é a palavra de ordem atual, não importa que impacto tenha na vida dos outros. Se para ficar com sua namorada, Lindemberg teria que pôr uma arma em sua cabeça, foi exatamente isso que ele faria para resolver o problema e, ao menos durante o seqüestro, os dois estariam juntos.

Por que todos têm a necessidade de encontrar um culpado, se a culpa está claramente dividida entre todos? Basta ler as entrelinhas: o pai de Eloá, que deveria ensinar bons valores a ela, era um matador de aluguel e estava executando o interesse de outras pessoas; Eloá "aprendeu bem a lição" do pai e já tinha ameaçado o namorado com uma faca; e o GATE, mais preocupado com a própria reputação, não tomou a decisão óbvia. Cada um tem sua parcela de culpa, por ter agido de forma egoísta em alguma parte do processo.

Encontrar esse culpado seria muito mais fácil do que encarar a simples realidade: a maioria das pessoas está muito voltada para os seus próprios interesses e mudar tal comportamento seria uma empreitada complexa demais. O inferno são os outros, como diria Sartre, e encontrar o culpado atenderia ao interesse de todos, deixando o inferno bem longe.

Tal individualismo é percebido até mesmo entre as comunidades criadas no Orkut em homenagem a Eloá e Nayara. A solidariedade está apenas no título das comunidades, pois tópicos totalmente superficiais como "Beija ou passa?", pra tentar eskecer o luto! (sic.) ou "O q acha da pessoa acima = atitude ou silêncio???" são os mais disputados, com até 2300 comentários. Então fica claro que para ser "solidário" hoje, basta entrar numa comunidade online e Deus nos perdoará do egoísmo de cada dia.

Clique no player abaixo e ouça as impressões de Rauf Abbud – que tem a mesma idade de Eloá e Nayara – sobre o seqüestro de Santo André. Pelo menos o garoto se envolveria na situação se fosse a família dele envolvida. Já se fosse só um amigo...



Rauf - Entrevista

Amigos, amigos, sequestros à parte

Por problemas na postagem acima, permanece esse link para a entrevista.



Rauf - Entrevista